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Milho ganha novo destino em MS e abre frente de industrialização

Milho ganha novo destino em MS e abre frente de industrialização

Durante boa parte dos 46 anos em que trabalha no campo em Mato Grosso do Sul, José Luiz Casarin conviveu com uma contradição: o Estado produzia milhões de toneladas de milho, mas consumia apenas uma pequena parcela. Para vender o restante, era preciso colocar o grão na estrada e percorrer centenas de quilômetros até os principais compradores.

O custo dessa viagem acabava voltando para quem produzia.

“Produzimos em torno de 12 milhões de toneladas de milho e o consumo era de aproximadamente 2 milhões. Nosso milho praticamente todo precisava sair para outros estados, principalmente Santa Catarina, e o custo desse frete, no fim, recaía sobre o produtor”, conta.

Engenheiro agrônomo, Casarin trabalha hoje com os filhos na produção de aproximadamente 3 mil hectares de soja e 3 mil hectares de milho safrinha na região de Nova Alvorada do Sul. É justamente ali que uma nova etapa dessa transformação começa a ganhar forma: parte do milho poderá ser processada dentro do próprio Estado e sair da indústria como etanol, óleo e alimento para animais.

Em julho, a Atvos lançou a pedra fundamental de sua primeira unidade de etanol de milho, integrada à planta de cana-de-açúcar já existente no município. O investimento supera R$ 1 bilhão e prevê capacidade para processar 642 mil toneladas de milho por ano.

Cerca de 2 mil trabalhadores deverão ser mobilizados durante a construção. Depois da entrada em operação, a estimativa inicial é de pelo menos 100 empregos diretos permanentes, além de vagas indiretas em transporte, manutenção, armazenagem, logística e fornecimento de grãos.

Para o governo de Eduardo Riedel, o empreendimento faz parte de uma estratégia de agregar valor à produção agropecuária antes que ela deixe Mato Grosso do Sul, combinando expansão agrícola, industrialização, transição energética e desenvolvimento regional.

Mais compradores perto de quem produz

A mudança já começa a ser percebida por produtores como Casarin. Segundo ele, a expansão das usinas de etanol de milho reduziu a dependência de compradores de outros estados e colocou mais empresas na disputa pelo grão.

“Com mais procura pelo milho, a oferta fica mais equilibrada e isso se reflete no bolso do produtor, com melhores condições de preço. Não ficamos tão dependentes de cooperativas e outros cerealistas e se abriu uma nova possibilidade de comercialização”, afirma.

Mato Grosso do Sul cultivou cerca de 2,2 milhões de hectares de milho na segunda safra 2025/2026. Em julho de 2026, a produção era estimada em 11,139 milhões de toneladas.

A futura fábrica de Nova Alvorada do Sul poderá consumir um volume equivalente a aproximadamente 5,8% dessa produção, considerando a projeção da safra e a capacidade anunciada da unidade.

Mais do que o percentual isolado, a mudança está na geografia da comercialização. Uma indústria instalada próxima às lavouras oferece ao produtor uma alternativa de mercado com potencial para reduzir distâncias de transporte e ampliar a demanda regional.

Mato Grosso do Sul possui atualmente três usinas de etanol de milho em operação: duas da Inpasa, em Dourados e Sidrolândia, e a Neomille, em Maracaju. A planta da Atvos deverá ser a quarta.

No último ciclo divulgado, o Estado produziu aproximadamente 5 bilhões de litros de etanol, dos quais 44% vieram do milho. Com a nova capacidade prevista, a participação do grão poderá superar metade da produção estadual.

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