A deputada estadual Professora Gleice Jane (PT) apresentou na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) projeto de lei que propõe acrescentar o nome da cientista Graziela Maciel Barroso à denominação oficial do Bioparque do Pantanal, em Campo Grande. A proposta foi protocolada em 13 de agosto e divulgada pela parlamentar nesta segunda-feira (17).
Se o projeto avançar no Legislativo e posteriormente for sancionado, o espaço passará a ser denominado oficialmente Bioparque do Pantanal Graziela Maciel Barroso. A expressão já utilizada para identificar o empreendimento será preservada, com a inclusão do nome da pesquisadora.
A homenagem tem como fundamento a trajetória de Graziela, que nasceu em Corumbá, em 1912, e se tornou uma das principais referências brasileiras no estudo e na classificação de plantas.
Cientista construiu carreira depois dos 50 anos
A história profissional de Graziela Maciel Barroso também é marcada pelo ingresso tardio no ensino superior.
Ela já trabalhava como naturalista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro quando avançou na formação acadêmica, concluindo a graduação aos 50 anos.
Graziela foi a única mulher entre os candidatos aprovados em concurso público para naturalista na instituição. Posteriormente, consolidou uma carreira dedicada especialmente à taxonomia vegetal, área responsável pela identificação, descrição e classificação das plantas.
Seu trabalho contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a flora brasileira e também para a formação de novas gerações de pesquisadores.
Ligação com Mato Grosso do Sul fundamenta homenagem
Na justificativa apresentada à Assembleia, Gleice Jane destaca a origem sul-mato-grossense da pesquisadora e a relação de seu trabalho com a biodiversidade.
Para a deputada, a inclusão do nome no Bioparque permitiria recuperar uma trajetória científica ainda pouco conhecida no Estado.
“Graziela nasceu em Corumbá e se tornou uma das maiores referências da botânica brasileira, mas sua história ainda é pouco conhecida pela própria população de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
A parlamentar também relaciona a proposta à presença das mulheres na produção científica.
“Dar seu nome ao Bioparque é reconhecer uma cientista extraordinária, valorizar a ciência produzida por mulheres e mostrar às novas gerações que uma mulher sul-mato-grossense ajudou a construir conhecimento fundamental sobre a biodiversidade do nosso país”, acrescentou.
Projeto levanta discussão sobre mulheres em espaços públicos
Outro argumento utilizado na justificativa é a participação feminina na denominação de prédios, monumentos e equipamentos públicos.
Segundo a proposta, a escolha dos nomes desses espaços influencia a construção da memória coletiva ao preservar determinadas personalidades e acontecimentos para as gerações seguintes.
Gleice Jane sustenta que a contribuição histórica das mulheres em áreas como ciência, educação e cultura nem sempre recebeu a mesma visibilidade.
“A memória de um Estado também é construída pelos nomes que escolhemos preservar. Durante muito tempo, as contribuições das mulheres para a ciência, a educação, a cultura e tantas outras áreas foram invisibilizadas”, declarou.
Para a deputada, homenagear Graziela também representa reconhecer a participação feminina na formação histórica de Mato Grosso do Sul.
Nome Bioparque do Pantanal será preservado
A proposta não pretende substituir a identidade pela qual o empreendimento ficou conhecido desde sua implantação em Campo Grande.
O nome Bioparque do Pantanal continuará fazendo parte da denominação. A mudança consiste apenas no acréscimo de Graziela Maciel Barroso.
A escolha do local para a homenagem também considera a atividade científica desenvolvida pela pesquisadora. O Bioparque é voltado à conservação, pesquisa, educação ambiental e divulgação da biodiversidade, enquanto Graziela dedicou grande parte de sua trajetória ao conhecimento da flora brasileira.
O projeto seguirá agora a tramitação prevista na Assembleia Legislativa, incluindo análise pelas comissões competentes antes de eventual votação pelos deputados estaduais. Caso receba aprovação do Legislativo e seja sancionado, o novo nome passará a integrar oficialmente a denominação do Bioparque do Pantanal.