Há cerca de 30 milhões de cães e gatos vivendo nas ruas do Brasil. Número que supera a população de muitos países. O 4 de Abril — Dia Mundial dos Animais de Rua — não é uma data festiva. É um alarme.
Instituída por organizações internacionais, a data expõe uma contradição brutal: enquanto o mercado pet movimenta R$ 60 bilhões por ano no país, milhões de animais sobrevivem entre lixo, rodas e violência. Abandono não é acidente — é escolha. E crime, previsto na Lei 9.605/98.
A origem do problema é humana. Superlotação em abrigos, castração ainda vista como opção (deveria ser política pública) e a falsa ideia de que “animal de rua se vira”. Não se vira. A expectativa de vida de um cão abandonado não passa de três anos.
Há soluções conhecidas: programas de castração em massa, identificação por microchip, endurecimento de penas e educação nas escolas. Funcionam onde foram implementados — como em Curitiba, que reduziu em 70% a eutanásia em dez anos.
O 4 de Abril não celebra nada. Convoca. Cada animal na sarjeta é um retrato da nossa falha coletiva. Enquanto houver rua como destino, não há avanço que valha.